Pausa na Viagem: literatura brasileira
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[RESENHA] "FEITIÇO" (Liza Jones)



"Nasceu do pó e ao pó voltou. Que sua alma, que já se foi, e seu corpo retornem à vida. Forças da natureza, unam-se e restaurem-no. Invocamos todas as energias presentes para ajudarem no nosso feito. Que em perfeito estado ele retorne. Invocamos Nicolas Byron de volta a esta vida, a este momento presente, neste local."

 Autora: Liza Jones / Editora: Novo Conceito / Ano: 2013 / Páginas: 158
 
 
"Feitiço" é um livro lançado exclusivamente em formato digital pelo selo Novas Páginas da editora Novo Conceito. Vencedor de um concurso promovido pela editora, o romance de estreia da autora brasileira (sim, brasileira) Liza Jones aposta em uma mistura de amor e fantasia para fisgar o público teen.
 
A trama é protagonizada pelas amigas Mands, Pan e Ana, todas estudantes do último ano na Instituição Willian Hall. Além de desfilar o característico visual dark pelos corredores, o trio forma uma banda de rock e ainda encontra tempo para praticar feitiçaria nas horas vagas.
 
Depois de serem condenadas à detenção pela enésima vez, as "bruxinhas" conseguem fugir do colégio para se reunir no bosque próximo, onde darão o passo mais ousado em suas lições de magia: um arriscado feitiço de ressurreição. O objetivo é trazer de volta o famoso bruxo Nicolas Byron,  tido como um dos mais poderosos de todos os tempos e ídolo das garotas.
 
À primeira vista, o ritual não parece surtir efeito. Mas, no dia seguinte, quando um aluno novo chega à Willian Hall, atendendo pelo nome de Nicolas Byron, as garotas precisam descobrir se trata-se apenas de uma incrível coincidência ou se o novato é, de fato, o bruxo que esperavam.
 
Confesso que o que me atraiu em "Feitiço" foi a temática sobrenatural. Já disse aqui no blog o quanto me interesso pela mitologia das bruxas, e o fato de o livro ser escrito por uma autora iniciante que conseguiu oportunidade em uma das grandes editoras brasileiras fez com que, automaticamente, ocupasse seu lugar na minha "listinha" de desejados.
 
Desde o início estive ciente de que esta seria uma leitura despretensiosa, simples e rápida, devido ao reduzido número de páginas. O enredo é instigante, as personagens demonstram potencial e algumas viradas na história certamente me pegaram desprevenido. É uma pena que, no fim das contas, o livro tenha me deixado com um gostinho de decepção na boca.
 
A impressão que fica é a de que a trama poderia - e deveria - ter rendido muito mais. Com tantas possibilidades, conflitos promissores, vilões poderosos e cenas bacanas, "Feitiço" peca pelo simplismo da narrativa. Isso acabou fazendo com que a história parecesse rasa, improvisada, e, para ser sincero, senti como se estivesse lendo uma fanfic. Nada contra o gênero, mas não era isso o que eu esperava quando baixei o e-book.
 
No desenrolar da história, percebe-se um alto teor de ingenuidade - tanto da narrativa quanto dos personagens. Fiquei desapontado ao constatar a extrema facilidade com que certos problemas são resolvidos, assim como comportamentos imprudentes e até improváveis que alguns personagens acabam assumindo.
 
Em minha humilde opinião, "Feitiço" é uma sombra da grande história que poderia ter sido. Torço para que a autora dê uma atenção especial a ele e trabalhe em uma nova edição. Afinal, tenho certeza de que Mands, Pan, Ana, Nicolas e companhia teriam muito mais a oferecer.
 
 
 
 
 
 


[TAG] 12 livros para 2015

Olá, gente! Estou aqui para apresentar a vocês a primeira TAG do blog: 12 livros para 2015. A brincadeira já está bombando em canais literários no YouTube e decidi não ficar de fora.

Mas, afinal, sobre o que é essa tal TAG? Bom, como o próprio nome sugere, consiste em escolher 12 livros que vão entrar para a meta de leitura do ano que vem. No meu caso, escolhi títulos que já tenho, mas ainda não consegui ler. rs' Quero muito tirar esse atraso em 2015, e por isso decidi listá-los aqui! Tem nacional, internacional, clássico, fantasia, série, e-book... vamos a eles:

1) "O RETORNO A DEL" (Emily Rodda)



Se hoje posso dizer que sou um cara apaixonado por literatura, devo muito à saga de fantasia Deltora Quest, criada por Jennifer Rowe (a.k.a Emily Rodda). Apesar de ser voltada a um público mais infanto-juvenil, a série é meu xodó, sendo que este oitavo volume - O Retorno a Del - encerra a primeira parte da aventura de Lief, Barda e Jasmine pelo reino de Deltora. Ao todo, Deltora Quest tem 15 "episódios" divididos em três narrativas distintas.

Embora não tenha feito muito sucesso no Brasil, a série foi um best-seller internacional e ganhou uma adaptação para a TV em formato anime.

2) "CONFISSÕES DE UM JOVEM ROMANCISTA" (Umberto Eco)




Não sei muito a respeito deste livro, mas o suficiente para despertar minha curiosidade. Ganhei no meu aniversário este ano e o mantive protegido no plástico, mas não pretendo demorar muito para iniciar a leitura. Umberto Eco é um ícone da literatura mundial - autor de romances como O Nome da Rosa, O Pêndulo de Foucault e O Cemitério de Praga - e, nesta não-ficção, revela detalhes acerca da própria produção literária.
Eu, como escritor, não poderia estar mais animado para ler! \o/


3) "O SOBRINHO DO MAGO" (C. S. Lewis)


As Crônicas de Nárnia, do autor C. S. Lewis, são um clássico da literatura fantástica e já renderam adaptações bem-sucedidas para o cinema. O primeiro volume, O Sobrinho do Mago, está nesta lista como representante da série, e eu tenho muita vontade de ler pelo menos as primeiras crônicas ainda em 2015.

Obs.: Apesar de O Sobrinho do Mago ser considerado o início da saga, o primeiro filme foi baseado no segundo volume, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa.


4) "E NÃO SOBROU NENHUM" (Agatha Christie)



Publicado anteriormente como O Caso dos Dez Negrinhos, este é um trabalho de ninguém menos que a Dama do Crime, Agatha Christie. Até o momento, só tive uma experiência com a autora, quando li Os Cinco Porquinhos, e apesar de nem de longe ser um livro ruim, ele não me empolgou a ponto de correr para outras obras de Christie. Em 2015, pretendo tirar esse atraso.
 
Além da mudança de título, não sei muita coisa a respeito deste livro, em específico. O que é ótimo, porque contribui para criar a atmosfera de mistério.

5) "GAROTA REPLAY" (Tammy Luciano)
 
 
 

Primeiro nacional da lista! Inspirado pela vitoriosa carreira literária de Tammy Luciano, uma das autoras brasileiras mais promissoras da atualidade, decidi adquirir os dois livros que ela lançou pela Novo Conceito até o momento. Um deles é Garota Replay, romance teen protagonizado por Thizi, uma jovem carioca que, em meio a eventos desastrosos e turbulentos, depara-se com um grande mistério: quem seria a garota que ela encontrou certa vez na balada, cujos traços físicos são exatamente iguais aos seus?
 
Além de talentosa e incrivelmente profissional, Tammy Luciano é uma pessoa querida e super do bem. Tive a honra de conhecê-la na Bienal de São Paulo, e não vejo a hora de conferir seu trabalho!
 
6) "O SIGNO DOS QUATRO" (Arthur Conan Doyle)

 
Mais um clássico da literatura policial, desta vez escrito por Arthur Conan Doyle e estrelando Sherlock Holmes, o detetive mais famoso de todos os tempos. Tenho este livro há tanto tempo que chega a ser embaraçoso dizer que ainda não li. Quer dizer, lembro que comecei a ler alguns anos atrás, mas por algum motivo acabei abandonando.
 
Desta vez, Mr. Holmes, eu irei até o fim. Me aguarde!

7) "HALO" (Alexandra Adornetto)



Eu sempre, S-E-M-P-R-E, desejei este livro, antes mesmo dessa "febre angelical" na literatura começar. Halo, de Alexandra Adornetto, está aqui representando a trilogia homônima, cujos demais volumes se chamam Hades e Heaven. Ganhei a trilogia completa no Natal de 2013 e - adivinhem só - ainda não li.
 
Halo, Hades e Heaven, preparem-se, porque em 2015 irei usá-los! (Espero.)

8) "2.0 - O CHIP" (Jeferson Rodrigo)

 
 
Este e-book foi uma cortesia do próprio autor, Jeferson Rodrigo. 2.0 - O Chip é o primeiro livro de uma trilogia (?) de ficção científica, da qual apenas dois volumes foram lançados até o momento. A trama parece ser bem interessante, mas, como não estou acostumado ao formato digital, acabei procrastinando a leitura.
 
Não vejo a hora de ler este livro e adquirir a sequência, 2.0 - O Clone.
 

9) "O MELHOR DE MIM" (Nicholas Sparks)

 
Minha relação com Nicholas Sparks é, como diria o pensador contemporâneo Cristiano Araújo, "um caso indefinido". Li Querido John e amei. Algum tempo depois, li A Última Música e senti um balde de água gelada despencar sobre mim. Agora, com O Melhor de Mim, simplesmente não sei o que esperar.
 
Comprei o livro numa promoção da Submarino antes mesmo da adaptação cinematográfica e, apesar de um spoiler recebido de maneira indesejada, ainda quero lê-lo e (talvez) decidir se gosto ou não de Sparks.



10) "O LOBO DO MAR" (Jack London)



Quando ganhei este clássico de Jack London, eu ainda era jovem e imaturo demais para compreender toda a complexidade da obra. Por isso, acabei desistindo. Depois de tantos anos, imagino que seja a chance de ler O Lobo do Mar com um olhar diferente, com menos "medo" e mais profundidade.
 
Vamos cruzar os dedos, porque não pretendo deixar essa leitura passar de 2015!
 

11) "QUEM MEXEU NO MEU QUEIJO?" (Spencer Johnson)

 
 
Mais um da série "tenho há milênios, mas ainda não li". Pelo pouco que lembro, é um livro curto e de linguagem simples. Então, por que cargas d'água eu não terminei de ler Quem Mexeu No Meu Queijo? Talvez tenha sido um pouco pelo gênero (desenvolvimento pessoal), que não curto muito. Mas, com certeza, o fato de o livro ter desaparecido em um buraco negro por anos e anos até finalmente reaparecer foi a principal causa da procrastinação.
 
Portanto, o best-seller de Spencer Johnson vai ganhar uma segunda chance ano que vem.
 


12) "ENCANTO" (Tricia Rayburn)


Encanto é o segundo livro da trilogia Sereia, de Tricia Rayburn. Depois de me surpreender com o primeiro livro, aguardei ansiosamente pela oportunidade de adquirir a sequência, que acabou sendo um dos itens comprados na Bienal de São Paulo este ano. Mas, pelo fato de ainda ter uma enorme pilha de livros não lidos, eu infelizmente não consegui dar sequência à saga de Vanessa Sands. De 2015, com toda certeza, não passará!


Então, queridos, se vocês tiveram a paciência de ler até aqui, comentem: quais são os seus 12 livros para 2015?






 

[RESENHA] "SUA ALTEZA" (Pedro Marques)


Autor(a): Pedro Marques Pilati / Editora: Multifoco (Selo Desfecho) / Ano: 2014 / Páginas: 150

Nota: A resenha a seguir não representa necessariamente a opinião do Pedro, o autor do blog e da obra em questão. :P Admitimos e preservamos os princípios de transparência, isonomia e liberdade de expressão. Contamos com a sua compreensão! ;)


Oi pessoas lindas! Então, a resenha de hoje é de um livro que foi lançado há pouco tempo, mas pelo que vejo vai fazer um sucesso danado! O nome do livro é "Sua Alteza" e o autor, Pedro Marques. E só pra deixar vocês com um pouquinho de inveja, o autor é meu amigo rsrsrs 

Enfim, vamos à resenha... 

Características “gerais”: o livro não é grande, tem 150 páginas, o que o torna super fácil de ler, li em 3 dias se não me engano, e confesso que ainda demorei rsrs; e sem falar que tem uma capa linda, eu que o diga, porque amo rosa! 

Sobre a história em si: No início confesso que achei que não ia ser interessante, parece que não rendia a história, apesar de ter uma narrativa que fluiu bem e de não ter um vocabulário de difícil entendimento. Quando mudei minha opinião? Quando Dani, uma das personagens principais leva uma surra e é sequestrada, aí o negócio mudou de figura e eu passei a devorar o livro mais rápido, que convenhamos é um dos pecados de todo leitor, porque quando o livro acaba vem o remorso e a perguntinha básica “porque eu não li mais devagar?” 

Um pouco sobre os personagens: A história gira em torno de duas meninas jovens colegiais, Malvina, mimada, filha do diretor e detestada por todos pela sua arrogância e viver humilhando os demais; e Dani, uma gótica que sofre bullying dos outros alunos por estar “fora de forma” e pelo seu estilo não tão comum e que mesmo assim, não abaixa a cabeça e se acha a “justiceira do colégio”. O que eu achei delas: Apesar das críticas que posso receber, eu não gostei nem um pouco da Dani, o que confesso que é estranho visto que ela faz o papel da “boazinha” e da “sofrida” e achei muito bem dada a surra que ela levou, apesar de ser totalmente contra a violência; mas vou explicar porque eu não gostei: então, apesar de se intitular a justiceira eu não gostei das atitudes dela por achar que violência se resolve com violência, e todos sabemos que não é assim que as coisas funcionam que o que acontece na verdade é que a violência só gera mais violência, que é exatamente o que acontece no livro, ataques violentos em cima de ataques violentos. 

E sim, me julguem mais ainda por amar a Malvina. Quem leu o livro já dever estar se perguntando por que é que eu gosto dela e dizendo que eu sou a favor do que ela fazia, mas não, não é nada disso. Eu criei certa afinidade com Malvina pelo fato de entender as atitudes dela. Ela perdeu a mãe quando esta se separou do seu pai, e ele por sua vez, na ânsia de não ver sua filha sofrendo mimou demais Malvina, dando tudo o que ela queria, quando ela queria e do jeito que ela queria. Mas os motivos não param por aí, quando estamos falando de Malvina Nefasto há bem mais coisas em jogo. Ela saiu de um colégio onde ela tinha amigos de verdade e foi parar em um colégio onde todos a olhavam atravessado por ser filha do diretor e receber muitas regalias e a maneira que ela achou pra se defender foi essa: já que a julgavam tanto por ser filha do diretor e fazer o que bem entendia então começou agir exatamente assim. O que ninguém percebeu, exceto Dênis, outro personagem, é que ela tinha problemas, que nem tudo era nariz empinado e salto alto. Ela queria amigos, mas queria amigos de verdade, não amigos que se aproximassem dela apenas pra pedir favores, e mais coisas que nem sei bem como explicar! 

Enfim, achei o livro bem estruturado, uma história curta, mas bem escrita e como já disse, com uma narrativa bem fluida. Gostei muito do livro, chorei no final (ai que novidade Aline rsrsrs) e super recomendo a leitura. Espero que tenham gostado da resenha, que confesso ficou com um ar mais sério que as outras e acho que vou seguir com ele, se vocês quiserem que eu volte ao estilo das outras resenhas me avisem, deixem nos comentários por que eu quero agradar vocês! Beijos e até a próxima resenha!






[RESENHA] "AZUL DA COR DO MAR" (Marina Carvalho)



Com o rosto ainda enterrado na blusa, dei um sorrisinho frustrado, pensando em como eram vãos os meus desejos”. (p. 203)
Autor(a): Marina Carvalho / Editora: Novas Páginas / Ano: 2014 / Páginas: 334

"Azul da Cor do Mar" é o terceiro romance publicado da mineira Marina Carvalho, autora de "Simplesmente Ana" e "Ela É Uma Fera!", todos lançados pelo selo Novas Páginas da editora Novo Conceito.

Ambientada em Belo Horizonte - MG, a história tem como protagonista Rafaela Vilas Boas, formanda do curso de Jornalismo da PUC, que se vê diante de uma oportunidade única: estagiar na “Folha de Minas”, o maior jornal do estado e terceiro maior do país.

O que era para ser uma experiência incrível acaba se tornando um martírio quando Rafa conhece seu mentor, o premiado repórter investigativo Bernardo Venturini, que é simplesmente a pessoa mais intragável que ela já conheceu

Além das agruras do estágio, Rafaela ainda tem de lidar com sua antiga obsessão por um garoto cuja presença marcara seus verões na infância - o Garoto da Mochila Xadrez, a quem a garota observava durante as férias em Iriri - Espírito Santo.

Mesmo sem jamais ter trocado uma só palavra com o garoto (termo pelo qual a própria protagonista se refere ao personagem, já que nem sabe seu nome), Rafaela sente algo inexplicável por ele; uma curiosidade voraz que alimenta suas fantasias, as quais são postas no papel de maneira criativa, como uma espécie de diário. A fixação de Rafa pelo garoto já conta dez anos quando a história do livro começa.

Bata tudo no liquidificador e eis o resultado: uma vida de cabeça para baixo, cheia de reportagens desafiadoras, trabalho duro e sentimentos conflitantes.

É sem qualquer reserva que faço a seguinte afirmação: "Azul da Cor do Mar"foi, para mim, uma gratíssima surpresa. Esperando algo raso e meloso, caí do cavalo ao me deparar com um dos melhores romances nacionais da minha trajetória como leitor - até o momento.

Rafaela é daquelas protagonistas inteligentes, de personalidade forte e um tanto quanto atrapalhada, que eu particularmente adoro. Ela é quem conduz o leitor pelas 300 e tantas páginas da trama, narrada em primeira pessoa, com suas tiradas brilhantes, comentários espirituosos e retórica característica. Trocando em miúdos, uma personagem construída com excelência - a alma do livro.

Bernardo, seu coadjuvante, fica meio nível abaixo de Rafaela, embora também seja um personagem irresistível. Apesar do mau humor infundado e da implicância tão inexplicável quanto os avistamentos de OVNIs, o jornalista é esperto, sexy, magnético e surpreendente - como todo bom mocinho de comédias românticas.

Marina Carvalho também acerta nos personagens secundários. Figuras como Marcelo Novais, o repórter romântico, e Gisele, a amiga fútil e encrenqueira de Rafaela, dão um colorido especial à trama.

Se os personagens são ótimos, a narrativa empregada pela autora não fica atrás. Carvalho presenteia o leitor com um texto primoroso, marcado por uma prosa fluida e cheia de personalidade. A composição leve e gostosa dos parágrafos é uma isca esperta para manter o leitor colado às páginas - eu, por exemplo, não precisei de mais de dois capítulos para me viciar no livro.

Outro ponto a se destacar em "Azul da Cor do Mar" são as sequências de ação. Isso mesmo. Quem disse que romance não pode ter uma ou outra tensão policial? Marina Carvalho demonstra neste livro a conjugação perfeita de ação e emoção, sem errar a mão em nenhum.

Enfim, com tantas qualidades e méritos, "Azul da Cor do Mar" não pode deixar de entrar para os meus Favoritos do Skoob. Se você ainda não leu, não sabe o que está perdendo.

Deixe os preconceitos de lado e mergulhe nestas águas sem medo de ser feliz!




[PARCERIA] BOOK TOUR: QUISSAMA - O Império dos Capoeiras

(Imagem: Divulgação/Editora Biruta)

Hey, viajantes!

Esta capa lindíssima que abre o post é do livro "Quissama - O Império dos Capoeiras", do autor Maicon Tenfen com ilustrações de Rubens Belli. Voltada ao público juvenil, a obra é uma das novas apostas da Editora Biruta, que, à primeira vista, tem tudo para cair nas graças dos leitores.

Desde que soube da existência do livro, o interesse foi imediato. Entretanto, eu não contava que o blog Pausa na Viagem seria selecionado para a book tour organizada pela editora. É isso mesmo, ainda este mês tem resenha de "Quissama - O Império dos Capoeiras" aqui no blog. Muito obrigado à Editora Biruta pela confiança!

Sinopse:
Rio de Janeiro, dezembro de 1868.
O moleque Vitorino Quissama foge da senzala para procurar a mãe desaparecida. Recorre ao viajante Daniel Woodruff, ex‑agente da Scotland Yard que pode ajudá‑lo em sua missão. Transitando entre os salões da corte e as precárias moradias dos cortiços, a dupla terá de enfrentar os perigos e as injustiças de uma sociedade sustentada pelo trabalho escravo.
Baseado nos manuscritos de Daniel Woodruff (1832-1910), O Império dos Capoeiras reconstitui a saga de uma cidade dividida pela guerra secreta dos Nagoas e Guaiamuns, duas das maiores e mais temidas maltas do século XIX. Numa época em que o escritor José de Alencar era Ministro da Justiça e o Império do Brasil destinava todos os seus recursos à Guerra do Paraguai, Woodruff mal podia imaginar que, por trás da busca pessoal de Vitorino, insinuava‑se uma conspiração que mudaria os rumos da nossa História.

Autor: Maicon Tenfen / Ilustrador: Rubens Belli / Páginas: 308 / Formato: 14,8 x 21cm / Cores: 4x1 (capa) | 1x1 (miolo) / ISBN: 978-85-7848-137-7 / Idade: a partir de 10 anos / Preço: R$ 39,50


[RESENHA] "DOM CASMURRO" (Machado de Assis)


Autor(a): Machado de Assis / Editora: Nova Cultural / Ano: 1981 (texto original de 1900) /Páginas: 174
Sei que chega a ser desnecessário, mas segue uma sinopse básica da obra:

Dom Casmurro" narra, em primeira pessoa, a vida do advogado Bento Santiago. Nascido em uma família tradicional do Rio de Janeiro, o jovem Bentinho vê-se no centro de um dilema que envolve uma promessa feita pela mãe - a de enviá-lo ao seminário e fazê-lo padre - e os sentimentos adolescentes que nutre pela vizinha, Capitu.

Bentinho e Capitu, cientes do amor mútuo, passam a armar estratégias para evitar que o protagonista siga seu rumo predestinado. E é a partir daí que surge o terceiro vértice do triângulo amoroso mais célebre - e duvidoso - da história da literatura brasileira: Escobar.

Antes de prosseguir, quero frisar que “Dom Casmurro" não é leitura recomendada para leitores iniciantes - incluo aqui aqueles que leem por pura obrigação ou sequer cultivam o hábito da leitura, apesar de formalmente alfabetizados.

Não se pode esperar que jovens vestibulandos sejam cativados à literatura através de nomes como Machado de Assis. Reduzir a literatura - mais especificamente, a “literatura de qualidade” - a clássicos densos e rebuscados é elitizar a cultura e, pior ainda, afastar leitores potenciais.

Não estou, com isso, desmerecendo a qualidade da obra - que já se provou indiscutível -, mas alertar para o preconceito existente entre intelectuais e pseudointelectuais, habituados a marginalizar manifestações artísticas mais populares e provocar a consequente debandada de cidadãos que, se talvez fossem apenas incentivados ao invés de forçados, poderiam desenvolver o prazer pela leitura.

Voltemos ao livro…

Dom Casmurro" tem suas qualidades e méritos óbvios. É uma obra magistralmente escrita, que apresenta um retrato crítico da sociedade carioca do século XIX e reúne personagens impecavelmente construídos.

Machado de Assis é mestre consagrado, e faz jus ao título. Seu romance é extremamente sensível, sem ser piegas. Inteligente, sem pretensões “intelectoides”. No entanto, devo confessar que foi uma das leituras mais arrastadas, exigentes e meticulosas que já experimentei. Não me arrependo, mas posso classificar a experiência como uma batalha vencida. rsrs’

Bentinho é um personagem completo e repleto de nuances, mas caí de amores por Capitu. Esta, sim, um show à parte. Capitolina Pádua é uma das melhores personagens já criadas pelos gênios da literatura. De personalidade marcante, é esperta, dissimulada, irresistível, encantadora e feminina.

Correndo o risco de cometer uma heresia, mas despido de qualquer temor neste sentido, posso comparar “Dom Casmurro" a uma novela das seis, daquelas que prendem o espectador em suas épocas longínquas e o fazem redescobrir o mundo e a História por meio de tramas que, de um jeito ou de outro, refletem o paradoxo de que os tempos podem mudar, mas certas coisas permanecem sempre as mesmas.

Excelente!

[RESENHA] “O SEMEADOR DE IDEIAS” (Augusto Cury)



Autor(a): Augusto Cury / Editora: Planeta/Academia de Inteligência / Ano: 2011 / ginas: 272
Confesso que minha reação ao abrir o pacote de presente e dar de cara com um livro de Augusto Cury foi algo como “argh! Autoajuda?!”, embora sorrisse e agradecesse minha tia com educação.

Sim, acho que fui tomado pelo chamado “preconceito literário”. E sim, continuo tendo aversão a qualquer obra de autoajuda que mais pareça uma fórmula mágica para encontrar a felicidade - ou o que quer que isso signifique para o seu autor. Entretanto, como geralmente acontece com as primeiras impressões, a minha estava enganada.

Não sei como classificar “O Semeador de Ideias" - se autoajuda, filosofia, romance ou bíblia humanista -, mas não é esta a questão. Soube que seu conteúdo deveria ter algo de especial ao confirmar a impressionante marca alardeada na capa: "12 milhões de exemplares vendidos no Brasil". No Brasil! Na verdade, minha ficha ainda está caindo.

Narrada por Júlio César, um professor de Sociologia frustrado, a história acompanha os passos de um intrigante maltrapilho que vaga pelas ruas da cidade como uma espécie de profeta, arrebanhando cada vez mais seguidores. Seu raciocínio e capacidade de instigar a inteligência dos que o escutam impressionam desde jornalistas até celebridades.

O profeta social - constantemente identificado como Mestre ou Semeador de Ideias - é ninguém menos que o bilionário Mellon Lincoln, proprietário de uma das maiores companhias do planeta que caíra em desgraça após a morte da esposa e filhos em um ato terrorista. Sentindo-se culpado e absolutamente perdido, ele passa por uma série de eventos que o levam à indigência.

Na nova fase de sua vida, Mellon passa a refletir sobre os problemas sociais e psíquicos, protagoniza um impactante monólogo diante de Deus e começa a - com o perdão do trocadilho - semear ideias. Em seu grupo de discípulos estão Júlio César; Barnabé e Bartolomeu, dois bêbados que vivem competindo entre si; Mônica, uma modelo fora dos padrões; Jurema, uma professora idosa e viúva; Salomão, um jovem portador de transtorno obsessivo-compulsivo; Jacob, um judeu; e Salim, muçulmano, entre vários seguidores eventuais.

Os capítulos iniciais, que abordam questões religiosas, deixam claro que Lincoln é uma espécie de Jesus Cristo contemporâneo. Um messias cheio de falhas e defeitos, mas de grande sabedoria. Sua filosofia encanta e inspira, o que torna a leitura fluida. Eu, que particularmente passava por um período de inquietação espiritual, me senti impelido a descobrir as novas lições que aquele personagem fascinante reservava.

O autor soube dosar as teorias do Semeador de Ideias com a trama em si, que - contrariando o que pensei no início - não fica em segundo plano. A trajetória de Lincoln é tão interessante que a história não fica cansativa em momento algum. As situações - tanto os debates quanto os eventos que dão sequência à trama -, são muito bem amarrados, salvo uma ou duas exceções.

Merecem destaque personagens secundários como Mark Sagan, diretor-presidente de uma das empresas de Mellon, e a intrépida jornalista Ana Cláudia, cujas presenças apenas enriquecem a trama e fomentam as reflexões. Em contrapartida, alguns personagens - em especial os discípulos do Semeador de Ideias - poderiam ter rendido mais.

Com abordagens instigantes, desenvolvimento inteligente e um desfecho eletrizante, “O Semeador de Ideias" entrou para a minha lista de favoritos. Ouso dizer que é uma obra genial! Não irá agradar a gregos e troianos, mas recomendo que deixem o "preconceito literário" de lado e leiam. Pelo menos um pensamento, uma frase ou um personagem ficará gravado na mente e no coração.

[RESENHA] “CASACO MARROM - O Amor Nos Tempos de Guerrilha” (Giselle Nogueira)



Autor(a):  Giselle Nogueira / Editora: Galera Record / Ano: 2010 / Páginas: 144
"Alô coração / Alô, coração…"
Iniciei a leitura de “Casaco Marrom - O amor nos tempos de guerrilha" cheio de expectativas, em parte por ser o primeiro romance histórico da minha prateleira, mas, principalmente, por abordar o período do regime militar no Brasil (tema ressuscitado por Tiago Santiago na novela "Amor e Revolução", e que, por isso, voltara à voga).

O romance narra a história de amor de Raquel, uma jovem militante política - amor mais perceptível pela guerra contra a ditadura do que por seu anônimo companheiro.

O primeiro capítulo me deixou ávido para descobrir os próximos passos da história. Entretanto, a partir do segundo capítulo, o passado de Raquel começa a ser revirado, e o romance passa a revelar passagens biográficas da protagonista, deixando um pouco de lado o desenvolvimento linear da trama.

Casaco Marrom" deixa subentendido que a maioria de seus eventos foi vivenciada pela própria autora, Giselle Nogueira, e por isso tantos contornos biográficos são compreensíveis.

Minha relação com o livro tem altos e baixos. Houve momentos em que me deliciei com o texto enxuto e inteligente de Giselle, mas também senti a leitura um pouco enfadonha em outros. Porém, tenho quase certeza de que isso se deve à oscilação de meu humor, e não à qualidade (indiscutível) da obra.

Casaco Marrom" explora os sentimentos de Raquel de forma brilhante e realista. Passeamos pelo passado e presente da protagonista sem questionar a credibilidade das informações do texto. Além do mais, as pequenas "aulas de História" ao final de alguns capítulos ajudaram em minha inserção na época relatada.

Cheio de emoção, referências históricas e um final a la “Titanic”, “Casaco Marrom - O amor nos tempos de guerrilha" é uma excelente narrativa que mistura realidade e ficção. Entretanto, se procura por uma grande história de amor, pode se decepcionar: a trama aposta muito mais em biografia do que no romance de Raquel com seu companheiro de militância.




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